sábado, 12 de novembro de 2011

No meio da aflição objetiva de sobreviver nesta cidade, neste país neste planeta, neste tempo — ando também bastante sereno. Acho. Alguma coisa em mim — e pode-se chamar isso de “amadurecimento” ou “encaretamento” ou até mesmo “desilusão” ou “emburrecimento” — simplesmente andou, entendeu? Desisti de achar que o príncipe vai achar o sapatinho (ou sapatão) que perdi nas escadarias. Não sinto mais impulsos amorosos. Posso sentir impulsos afetivos, ou eróticos — mas amorosos, sinceramente, há muito tempo. É estranho, e não me parece falso, mas ao contrário: normal. Era assim que deveria ter sido desde sempre. E não se trata de evitar a dor, é que esse tipo de dor é inútil, é burra, é apego à matéria. Sei lá. E não sei se me explico bem.
 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011


"Você pode dizer que depois de um amor vem outro amor. Que o tempo tudo cura. Que ninguém morre de amor. Que um dia eu esqueço. Que um dia eu não lembro. Que um dia eu deleto. Eu posso te dizer que não acredito em nada disso.
O tempo acalma o coração, mas não renova a alma. Você não esquece, você apenas se ocupa e ocupa os dias e as noites e distrai as emoções. Você pode não lembrar um dia, mas lembra dois, três, quatro…Você pode apertar no delete, mas algo em você não encaixará em nenhuma outra peça.”

"De alguma forma eu sabia que seria amor. Eu não sei, mas acho que a gente olha e pensa: “Quero pra mim”. Mas dá um frio na barriga, um tremor, um medo de depender de alguém, de sofrer, de escolher errado, de lutar por algo que não vale a pena. Porque o coração nem sempre é mocinho, as vezes ele também gosta de pregar peças, sei lá, talvez queira provar que também sabe ser vilão. Foi por isso que corri, tentei fugir, mas quando tem que ser, não adianta, será. E olha só, passei tanto tempo fugindo de um alguém que hoje sofro por não ser totalmente meu. Agora me diz, por quê?"

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."